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‘Meio Irmão’ destaca periferia como centro econômico e de formação social

Premiado na Mostra SP, drama urbano é o primeiro longa de Eliane Coster
Por: Thiago Mendes |  Foto: Divulgação |  Data: 09 de Março 2020
‘Meio Irmão’ destaca periferia como centro econômico e de formação social

Quais as perspectivas de vida do jovem cidadão brasileiro, em especial o que reside nos subúrbios de nossas metrópoles? Para Eliane Coster, diretora e roteirista em seu primeiro longa-metragem, não são as mesmas de uma década atrás. Nem tão animadoras.

Se compararmos a filmografia nacional dos dois períodos, notaremos indícios que reforçam a visão da diretora. Há dez anos, nossa juventude era destacada por nosso cinema em filmes como 'Antes que o Mundo Acabe', de Ana Luiza Azevedo, e 'As Melhores Coisas do Mundo', de Laís Bodanzky. Com desfechos otimistas, são produções que refletem os bons ventos em que o país então navegava. Emblemático que ambos contenham "mundo" no nome, pois conquistá-lo era o mínimo que aqueles jovens personagens poderiam almejar.

Já nos últimos dois ou três anos, 'Canastra Suja' (Caio Sóh), 'Ferrugem' (Aly Muritiba), e 'Rasga Coração' (Jorge Furtado) são alguns dos títulos que revelam uma juventude menos entusiasmada com o horizonte à sua frente, em contextos nitidamente mais pesarosos, e de conclusões menos esperançosas. Segundo a cineasta, as manifestações de junho de 2013 simbolizam a mudança desses ânimos, período em que começou a gestar o roteiro de seu filme.

Em 'Meio Irmão', premiado pela crítica (melhor diretor estreante) e audiência (melhor ficção brasileira) na 42ª Mostra Internacional de São Paulo, Coster demonstra seu ponto de vista nos contando sobre Sandra (Natália Molina) e Jorge (Diego Avelino), irmãos por parte materna que há tempos não se falam. Ele, vivendo com seu pai. Ela, com a mãe, de quem desde o início não se tem notícia. Menor de idade, sem emprego, e rejeitada pelo pai, só resta à Sandra recorrer ao irmão quando, há dias com a mãe desaparecida, já não consegue se sustentar.

Ambos vivem na imensidão da zona leste de São Paulo. A periferia, por sinal, se constitui igualmente protagonista, na medida em que abriga todo o desenrolar da trama, sem dar espaço a bairros mais centralizados. Na busca pela mãe, sentimos o pulsar único de regiões como essa, com seus milhares de microempreendedores girando a economia da cidade, tornando o conceito de centro mera questão geográfica, e não mais uma forma de distinguir onde ocorre e onde não ocorre atividades comerciais relevantes.

critica meio irmão

Para Sandra, que em certo momento já não sabe bem onde se abrigar, essa zona periférica tem, ainda, um papel de maternal acolhida. A garota a percorre com destemor, sabendo que, em última instância, não deixa de estar em seu lar. É como se todos aí fossem meio-irmãos: sem qualquer estigma, filhos da periferia. Nesse caminho, e já ao lado de Jorge, passamos por subtramas envolvendo homofobia e racismo, questões que continuam assombrando nossa sociedade, seja qual for o bairro.

Abrilhantado por uma pungente interpretação de Natália Molina, estreante em produções audiovisuais, e já premiada nos festivais de Caruaru (PE) e Fronteira (RS), 'Meio Irmão' se vale, também, de uma estética aparentemente simples. Sua fotografia naturalista, quase sem filtros, confere realismo à obra. Sua narrativa flui sem ser sobreposta por floreios técnicos. Nesse sentido, é o "anti-1917". Precisamente por isso, nos transmite muito mais verdade.

Meio Irmão - Brasil, 98 min, 2018. Dir. Eliane Coster - Estreou em 5/3. Asista ao trailer:

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