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Quando a insegurança heterossexual impede um homem de te levar para cama

Os relatos amorosos das linhas escritas abaixo são resultado de minhas reflexões acerca do pensamento de uma mineira que rodou nas redes esses dias: “Teoricamente todo homem quer uma mulher bem resolvida, autoconfiante, arrojada, sexualmente posicionada, senhora de si. Na prática nos acham afrontosas, bravas, impossíveis de lidar... Deus tá vendo”, dizia o tweet.
Por: Nayara de Deus |  Foto: Divulgação / Reprodução |  Data: 07 de Novembro 2018
Quando a insegurança heterossexual impede um homem de te levar para cama

Três músicos. Um Dj. Fui realmente amada por quatro homens ao longo de minha jornada de vida. Namoros que duraram tempo suficiente para que hoje, eu pudesse dizer que ainda os amo. E nutro por cada um extrema admiração e respeito. Sem qualquer disposição de voltarmos a nos envolver sexualmente.

Mas, confesso que, as últimas imersões amorosas da minha vida vêm me trazendo certa frustração.

É claro que a categoria artística bem como qualquer cidadão, independente de gênero, tem também suas limitações e brigas íntimas contra o machismo. Ao menos quem se dispõe a refletir sobre isso. Mas, é fato que o homem heterossexual desse meio está mais preparado para compreender e aceitar uma mulher independente, sem ver nela, um enorme risco à sua virilidade.

Acumulo meu terceiro ano consecutivo de vida solteira e sempre amei minha própria companhia. Três caras tiveram a oportunidade de subir até meu apartamento esse ano e sempre achei que, com as facilidades proporcionadas por morar há muitos anos sozinha, eu preciso de certa forma, "me preservar", rs (olha que machista isso). Enfim, julgo não ser muito prudente trazer qualquer pessoa que a gente dá uns beijos por aí para dentro do meu templo, assim, "de cara". Mas, reitero que não dou a mínima e, inclusive, admiro mulheres que pensam e fazem diferente.

insegurança masculina

Insegurança Masculina 

Um deles foi um tal Giovanni! Vai vendo!

Mais alto do que realmente considero necessário, mas um baita gostoso. Atencioso e bonitão, mexe com imóveis, está na casa dos 40 (AMO!) e nas horas vagas se diverte em cima de uma prancha de skate. Mora com os pais, se dizia uma pessoa "família" e me considerava "gostosa, educada, além de muito inteligente". Mas, acho que ele me considerava tão inteligente, que era perceptível seu cuidado ao pronunciar cada palavra, e pensar antes de elucidar qualquer comentário. O que tornava nossos assuntos um pouco burocráticos, eu diria. Se esforçava para falar de seus planos profissionais futuros fazendo a linha "tenho metas a cumprir e um modelo de negócios que será sucesso". Passava muito tempo falando sobre esse tal modelo. Quando seria mais interessante que ele talvez nada falasse.

Giovanni provavelmente não foi um cara que chegou ao ensino superior. Não quis perguntar, até porque ele nunca tinha entrado nesse mérito. Sempre achei que esse tipo de assunto viria naturalmente. Não me sinto à vontade para fazer perguntas que sugiram uma "entrevista", eu diria. Até porque, do jeito que ele era inseguro, provavelmente o constrangeria. Por sorte seu desempenho nos momentos íntimos de descontração realmente não deixava absolutamente nada a desejar. Motivo pelo qual talvez eu ponderasse a conjugação errada do verbo 'fazer' quando ele insistia em dizer "faziam 10 anos", por exemplo.

Na época, até comentei com minha mãe, ao telefone, que ele usava o verbo errado. Mas, ela disse que era melhor eu não o corrigir porque isso poderia intimidá-lo.

mulheres poderosas

Mulheres no comando da situação

Resultado. Depois de alguns encontros, o cara veio duas vezes à minha casa. A segunda foi uma noite e tanto! Sem contar os momentos chatos de "blá, blá, blá" burocrático sempre sobre trabalho. Porque ele queria que eu tivesse uma impressão de que ele era "mais" do que era. Enquanto eu não estava realmente nem aí. Só o aceitava, naquele momento, como ele era mesmo. Sem grandes expectativas.

Para "acabar com tudo" eu só precisei convidá-lo para ir ao teatro e a um show de jazz. Pronto! O galã do skateboard ficou em pânico. Articulou me ver mais umas duas vezes, encontros que não aconteceram, e hoje, meses depois, ainda fica de olho em todos os meus stories do Instagram. Não perde um único. Só não tem coragem de me mandar um WhatsApp porque o último em que me enviou uma carinha com um óculos escuro para puxar assunto, não recebeu outra carinha de volta. (Eu tentava teclar. Juro. Mas, era ele quem sempre me chamava, e só me enviava emojis dos mais variados. Depois de um tempo me adaptei a esse tipo de comunicação. Afinal, não tem muita lógica você ficar escrevendo, escrevendo, para receber como resposta incontáveis emojis! rs).

Até aí, tudo bem. Não era um cara que me estimularia por muito tempo, apesar dos predicados infalíveis na "hora do vamos ver".

Enfim. Vida tranquila, sem qualquer perspectiva amorosa, quando, de repente...pinta um tal Otávio. Engenheiro. Diz que toca percussão, mas, só o vejo tocando aquele chocalhozinho pequenininho.

Bom. Otávio é um caso antigo. Há bons anos nos cruzamos em uma roda de chorinho no centro da cidade. Apenas olhei para ele e pensei. "Para! Esse cara é meu número!". Frase que não ficou apenas no mundo das ideias. Após descobrir que ele tinha um relacionamento o abordei. Sem tampouco termos conversado na vida, disse que se ele não tivesse namorada a gente ficaria junto.rs. Ele sorriu.

Como eu realmente não me envolvo com homens comprometidos (MESMO!), simplesmente apertei o botão Off. Convivi ao longo dos anos vendo Otávio vez ou, outra, mas já nem lembrava que outrora ele tivera me causado qualquer frisson.

Até que esse ano, do nada, Otávio resolve me dar um beijo na boca. Meu mundo apenas parou. Afinal, realmente há muito tempo não o via com a garota. O que na minha cabeça, não o impedia de estar ainda com ela. Eu, na verdade, depois de tanto tempo já nem lembrava mais do Otávio, na real.

Resultado. O que passou a me motivar a comparecer às semanais rodas de choro nesse inverno já não era nem mais aquela sonoridade linda de música erudita com samba e jazz, típica do fascinante segmento musical. Mas, a expectativa de saber se eu conseguiria beijar aquela boca novamente. Que beijo doce tinha o engenheiro. Gratuitamente tudo nele me chamava a atenção. Seu jeito de se vestir, o caimento das calças que usava, o tamanho das camisas e camisetas... O achava classudo, extremamente charmoso. Não lindo. Até porque Otávio não faz parte dessa categoria. Mas, quem me conhece sabe que realmente não julgo ser a beleza o mais importante dos atributos de um cidadão. Mas, para mim, ele era bonitão.

medo da parceira

Medo da parceira

Resumo. Passamos noitadas inteiras na rua congelando nas madrugadas frias de inverno, trocando altos beijos, nos pegando, e eu, realmente achava maravilhoso. Só que, a verdade é que eu queria muito ter tido a oportunidade de um dia convidá-lo para ir até minha casa. Só que ele nunca fez nem questão de pedir meu telefone. Quer dizer: a gente ficava toda vez junto, dava risada, trocávamos ideias diversas, e ficava nisso. Com a certeza de que ambos adoravam amanhecer juntos, a cada fim de festa, na calçada do bar.

Um dia descobri que Otávio me seguia no Instagram (eu sabia que ele lá estava, mas, não tinha me ocorrido de adicioná-lo, até porque meus interesses eram muito maiores, hehe).

E isso é péssimo. Porque no fundo no fundo, por mais quarentão e maduro seja um homem, a imensa maioria tem pavor de mulheres independentes. Dessas que andam com rapazes, e saem sozinhas sem qualquer problema...que pagam suas próprias contas e não se aproximam de qualquer um por interesse. Que são alegres, comunicativas e extrovertidas, além de bonitas e inteligentes.

Alguns têm tanto pavor que simplesmente não se permitem receber carinho e afeto de garotas que, de repente, seriam capazes de fazê-los felizes. E não digo fazê-los felizes "para todo o sempre", como nos contos da Disney. Mas, pelo menos ao longo da curta, ou longa história que ambos se permitirem compartilhar. Seja de um dia, um ano, ou dez.

E nessa situação inédita de ter me "relacionado" a cada roda de choro sem nenhuma ação do Otávio para que pudéssemos ter nos conhecido além do ambiente da "rua", inúmeras perguntas tomaram forma. Será que o cara tem uma menina no estrangeiro, ou, apenas nunca esteve a fim, embora realmente nossos corpos dissessem definitivamente o contrário MESMO? rs. Será que ele tem o membro sexual pequeno, e por isso, certa frustração e medo? Ou, fica comigo descaradamente na frente de todo mundo e continua mantendo outra relação? Até perguntei, mas, ele nunca me deu qualquer resposta.

Enfim. Um caso realmente novo para mim. Que humilhação. No entanto, passar noites frias me "amassando" com alguém que admirava e que seria incapaz de uma investida maior, mais tarde, me fariam agradecer. Sorte teve ele de não se render aos meus encantos fechado a quatro paredes dentro do meu quarto, na minha cama de casal que poucos têm a honra de compartilhar, enquanto muitos gostariam! rs.

homem que broxa

Insegurança Sexual

Pôxa! Para! Somos nós, mulheres, quem geramos a vida. Povoamos todo o mundo e merecemos o mínimo de respeito. E outra. Gente insegura e muito gelada não leva a nada. Eu gosto é de dar carinho. Mulher nenhuma merece esse tipo de personagem, por mais delicioso seja ele e seu beijo. Por melhor que se vista, ou, troque boas ideias.

Se um cara, por insegurança, não admite tentar alçar novos voos: é bola para frente. Afinal, às vezes o que queremos para nós, o bem não nos faria. E todo livramento pode vir seguido de alguém que tenha confiança em si mesmo.

Por isso, "tá com medo? Não sobe para o play", é a frase mais correta. Homem que se diz homem não deixa uma mulher "falando". É isso.

'Bóra', porque procurar dá é azar. E eu nunca saí na captura porque bom mesmo é quando, de repente, quando se vê, as coisas já estão acontecendo. No maravilhoso mundo do amor e do carinho entre duas pessoas que se querem bem. Sem novela. Sem jogos e teatrinhos.

Afinal, mamys sempre disse que amor não é algo instantâneo. Mas, um sentimento que se constrói. Vamos nos permitir nos envolver com pessoas que também querem ser amadas. Que se permitirão receber afeto. Comigo sempre foi assim e não precisamos desse tipo de frustração, sabe...

Porque a vida é curta, e, sem intensidade, a gente nem deveria sair de casa. E se você se considera interessante, cheirosa, e cremosa como eu e, ainda assim o cara não quer tentar chegar nos "finalmentes" por mais que respire descompassadamente ao beijar a sua boca, o problema, pode ter certeza que não é você, viu! rs.

Então...

Bóra, amar! Bóra viver!

Porque, Deus "tá vendo"!

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