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007 contra Spectre - Daniel Craig parece sempre mal-humorado

O filme tem ação sólida, orçamento generoso e belas locações
Foto: Divulgação / Reprodução |  Data: 19 de Novembro 2015
007 contra Spectre - Daniel Craig parece sempre mal-humorado

Por Rubens Ewald Filho

O filme anterior Skyfall (2012) era um pouco mais curto (142 min) e mais bem-sucedido, tendo sido o primeiro da série a render mais de um bilhão de dólares em todo o mundo.

Como é costume nesses casos, esta nova aventura que repete basicamente o elenco e o diretor, já esta sendo criticada porque é menos surpreendente (e também lembra incomodamente os episódios recentes de Missão Impossível), não tem as tradicionais Bond Girls (Monica Bellucci tem apenas uma ponta e a francesa Lea Seydoux, é sem graça, mantém uma única expressão e não convence como o interesse romântico).

Há uma falta de mais e melhor humor e principalmente de um vilão mais divertido e cínico como o Silva de Javier Bardem. Todo mundo se leva a sério demais, inclusive o protagonista Daniel Craig, que parece sempre tenso e mal-humorado, como se preferisse estar em outro lugar. E nunca sua frieza em matar e sua invencibilidade (ah, e também o merchandising de automóveis e relógios) ficaram tão evidentes. Engraçado como os Bonds anteriores de Connery a Pierce Brosnan, sempre tiveram um charme e elegância que nos faziam perdoar seu sangue frio. Isso não acontece com Craig. E tem mais, a trilha musical que no filme anterior parecia intensa agora ficou apenas barulhenta (ainda assim a música tema estourou na Inglaterra assim como o filme).

Não vou cometer a heresia de dizer que o filme é ruim, nem tanto. Acho que Mendes errou em retomar o projeto (deve ter levado uma enorme soma como salário) e não dar melhor texto para os protagonistas (Ralph Fiennes que assumiu o personagem de M, é o primeiro deles a ter uma participação ativa na ação da trama, mas é outro que parece aborrecido e chateado). Teve gente que sentiu falta de um vilão mais forte, já que Christoph Waltz é um ator que só funciona mesmo quando Tarantino esta no comando (o que já lhe valeu dois Oscars de coadjuvantes).

james bond

Todo o roteiro faz um esforço para ressuscitar a antiga organização chamada Spectre que estava em ação nos primeiros filmes (há até a intenção de afirmar que outros vilões de filmes anteriores, visto em fotos, já pertenciam a ela) e mostrar mesmo uma filiação de Waltz (Oberhauser) como outro vilão clássico. Mas é particularmente frágil a figura do outro bandido da história, o chamado C que é feito fragilmente por um ator irlandês chamado Andrew Scott (que já esteve melhor como Moriarty na série de TV do Sherlock Holmes). Resta Q que também entra na dança assim como a Moneypenny, mas ainda assim sem nada de conseqüente.

Acho que a melhor coisa do filme certamente é um tour de force com um sequência prólogo rodada espetacularmente nas praças principais de Cidade do México durante um grande desfile de Dias dos Mortos (onde tradicionalmente se vestem de caveiras). É um enorme plano sequência, muito bem filmado e que culmina com uma perseguição a pé do vilão e Bond, que continuam brigando a bordo de um helicóptero.

Quem tiver olhos atentos, conseguirá perceber que não há efeitos digitais, mas fica visível que em certos momentos Craig está substituído por um dublê e pior que isso na complicada luta há alguns planos onde eles usam a famigerada projeção de fundo, coisa de filmes dos anos cinquenta para trás.

O mais curioso é que apesar de tanta restrição Spectre tem ação sólida, orçamento generoso, belas locações exóticas (Áustria com neve, Marrocos com deserto, Roma, Cidade do México, e naturalmente Londres). Só não é um grande momento de James Bond.

007 contra Spectre - Inglaterra/EUA, 2015. Direção de Sam Mendes. 148 min. Roteiro de John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Jezz Butterworth. Com Daniel Craig, Ralph Fiennes, Christoph Waltz, Lea Seydoux, Monica Bellucci, Naomi Harris, Ben Whishaw, Dave Bautista, Rory Kinnear, Judi Dench.

Assista ao trailer:

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