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Garota albina se transforma em top model

Thando Hopa ainda sofre preconceito
Foto: Justin Dingwall / BBC |  Data: 24 de Agosto 2015
Garota albina se transforma em top model

Thando Hopa é modelo e advogada sul-africana e sofre com o albinismo, que é um transtorno genético onde falta melanina na pele, cabelos e olhos, em várias regiões africanas, pessoas albinas são mortas devido a crença que pessoas assim tragam poder e sorte.

Entre 17 mil pessoas, uma nasce com a falta de pigmento. Só na região da Tanzânia existe uma população com mais de 30 mil albinos, algumas regiões africanas o número de albinos é bem maior.

Hopa pretende combater a ignorância e quer oferecer um modelo positivo para jovens albinos que vivem na África com o seu trabalho. Veja a entrevista da modelo para a BBC.

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"Desde muito pequena, meus pais sempre se esforçaram para que eu não me sentisse diferente. Mas, infelizmente, quando fui à escola e fui apresentada à sociedade, crianças, em particular, começaram a agir de forma estranha em relação a mim. Me xingavam, não queriam tocar em mim. Depois, comecei a perceber que mesmo pessoas bem mais velhas faziam coisas que eu não entendia. Cuspiam quando eu passava. Me disseram que era para evitar má sorte.
Um dia, aconteceu uma coisa muito estranha. Acho que eu tinha sete anos, estava voltando da escola. Uma mulher parou e começou a gritar: 'Meu Deus, é a filha do diabo, o que ela está fazendo comigo?'
Nunca me senti tão isolada. Naquele momento, me dei conta de que ela estava falando de mim. Aquilo me afetou tão profundamente que quando cheguei em casa disse à minha mãe que não queria mais ir à escola.
Eu não disse por quê. Mas o que mais me incomodava era que eu tinha sido criada com um forte senso de comunidade e eu não entendia como essa comunidade permitia que eu passasse por aquilo e ninguém repreendia essa mulher. Minha mãe nunca disse nada, nunca sentou comigo para me preparar ou dizer coisas do tipo: 'Você vai começar a escola, você tem uma aparência diferente.' Acho que essa foi a forma que eles encontraram de me educar. Não queriam que eu me sentisse diferente.
Quando comecei a perceber, e as inseguranças começaram a aparecer, corri para o meu pai. Chorava, chorava, e dizia: 'Por que não sou igual a todo mundo? 'Ele respondia: 'Mas você é tão linda, nunca vi uma menina tão linda como você!' E eu respondia: 'Não, você está mentindo, você está mentindo!' Mas ele repetia a mesma coisa, continuamente. Nunca parou. E embora eu não estivesse consciente na época, acho que isso me fortaleceu.
E minha mãe me comprava as roupas mais lindas. Ela queria que eu me sentisse bonita do lado de fora, para que eu começasse a me sentir bonita de todas as formas. Então, um dia eu decidi que beleza era uma decisão. E eu decidi ser bonita. 'Sou bonita, a despeito do que as pessoas dizem', pensei. Eu estava na universidade. Decidi que ia começar do zero. 'Vou me encontrar.'
E trabalhei em mim mesma, intensivamente. Comecei a ter uma conversa comigo mesma. 'Sabe de uma coisa? Hoje vou ser bonita. Vou ser estonteantemente linda.' No final, isso começou a se refletir na minha autoconfiança."
"Nunca, jamais, imaginei desfilar em uma passarela. Eu queria ser advogada, achava que o mundo da moda era superficial e que só mulheres pouco inteligentes faziam esse tipo de atividade. Não queria ser associada a esse estilo de vida. Mas é muito fácil formar opiniões a respeito de uma carreira sobre a qual você não sabe absolutamente nada.
E isso foi antes de eu conhecer Gert-Johan Coetzee, um estilista muito conhecido na África do Sul. Eu estava andando em Johannesburgo – e confesso que aquele não era meu melhor dia – quando um homem se aproximou e disse: 'Oi! Você gostaria de fazer uma sessão de fotos?' Respondi que não sabia.
Ele percebeu que eu estava muito relutante, mas me deu um cartão. Mais tarde, quase jogando o cartão fora, contei à minha irmã, em tom de piada, sobre o convite. Eu disse: 'Imagine, de jeito nenhum eu faria isso!' Minha irmã disse que eu tinha uma cabeça muito estreita. 'Depois de tudo o que você passou, essa é sua oportunidade de mudar a percepção das pessoas sobre albinismo e de mudar a definição de beleza'", disse à BBC.

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