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Nicette Bruno: “Não existe mais um bilhete, ninguém conversa mais”

De Getúlio Vargas ao estrelato, assim é a vida de uma das divas da televisão brasileira
Foto: Globosat/Beti Niemeyer |  Data: 10 de Abril 2015
Nicette Bruno: “Não existe mais um bilhete, ninguém conversa mais”

Nicette Bruno no auge dos seus 82 anos de vida é um exemplo de profissional, mãe, avó, empresária, e um ser humano único, dá um show de uma verdadeira diva da televisão brasileira. Viúva do ator Paulo Goulart, mãe de Beth Goulart, Paulo Goulart Filho e Bárbara Bruno.

Em uma conversa descontraída e afetuosa Nicette falou sobre sua vida profissional, pessoal, família e decepções do meio artístico. Acompanhe na íntegra a entrevista exclusiva:

Portal Pepper: De onde veio o sobrenome Bruno?
Nicette Bruno: Veio da minha família mesmo, da família da mamãe. Na época não contava muito o nome da mãe e sim o nome do papai, Nicette Xavier, mas como a família da mamãe era toda ligada à arte, eu usei o sobrenome dela desde pequena. Depois casei e fiquei Nicette Xavier Miessa, mas continuei com o sobrenome de mamãe na carreira artística.

PP: Você nasceu em família de artistas. A atuação surgiu por influência da família?
NB: Todos artistas amadores, né! Minha vó era médica, mas era uma cantora divina. Os irmãos da mamãe era violinista, o outro arquiteto, mas era pianista. Tinha um casal que era bailarino. Então eu nasci num ambiente de arte. Não dá para dizer que eu fui influenciada, o ambiente artístico foi algo natural, mas eu nunca pensei em ser outra coisa que não fosse artista. Sempre tive uma preparação mais do que influência, foi despertando algo em mim e me tornei artista espontaneamente.

PP: No inicio de sua carreira como foi conhecer o presidente Getúlio Vargas?
NB: Sempre participei de espetáculos importantes com pessoas conceituadas na época. Fui convidada para inaugurar o Teatro de Alumínio de um empresário que era chamado o fotógrafo das estrelas, que queria montar algo de suporte de alumínio, que fosse itinerante no Rio de Janeiro. Evidentemente o patrimônio histórico não permitiu então eu fui falar com o presidente. Fui muito bem recebida por ele, com aquele sorriso tão espontâneo, eu expliquei pra ele, ele disse "vai minha filha fazer seu teatro", eu sai de lá feliz, mas ele não deixou nada escrito, só foi verbal.

PP: Getúlio Vargas prometeu uma verba para seu espetáculo e não cumpriu?
NB: Verba não, ele prometeu a permissão de se colocar o teatro no passeio público, mas o patrimônio histórico não permitiu, era o Lúcio Costa o arquiteto responsável. Com toda razão, pois o passeio público não era para se colocar algo ali, era apenas loucura e sonhos de artistas jovens e sonhadores que desejavam isso. Mas como jovens éramos muito atrevidos. Mas em função disso, de tanto estardalhaço da imprensa o Secretário de Cultura de São Paulo, nos chamou e nos ofereceu um espaço onde seria o Paço Municipal que é hoje, ali na Praça das Bandeiras. Por isso que mudei pra São Paulo.

PP: Como você conheceu o Paulo Goulart?
NB: Conheci ele no Teatro de Alumínio aqui em São Paulo, o Paulo é nascido em Ribeirão Preto e estava aqui fazendo faculdade de químico industrial, em seguida foi pra Rádio Tupi, o pai do Paulo era dono de rádio lá no Olímpia, cidade de interior, e ele começou na carreira desde os 14 anos, ele era sonoplasta, depois teve banda, etc. Depois da estreia da peça no teatro que nós começamos a namorar.

PP: Qual trabalho te satisfaz mais? Teatro, Televisão ou Empresária Artística.
NB: Empresária não me satisfaz nunca, sou produtora por força de circunstância. Eu fiquei empresária por conta de uma sociedade, mas isso nunca fui meu desejo, mas também nunca fugi da raia. O que me dá grande satisfação é o teatro.

nicette bruno e paulo goulart

PP: Mãe de três filhos artistas. Prefere-os nos palcos ou gostaria de vê-los em outra profissão?
NB: Eu gostaria que eles estivessem onde tivessem vocação pra isso. Tanto que todos eles fizeram testes vocacionais e não deu outra coisa, então evidentemente que tiveram de nossa parte todo o apoio e toda torcida até hoje, mas cada um seguiu seu caminho, eles batalharam muito e ainda batalham.

PP: Teve decepções no meio artístico?
NB: Quando eu soube há nove anos de uma pesquisa feita que 72% de jovens incluindo universitários nunca tinham ido ao teatro, fiquei decepcionada com a questão da educação e cultura do nosso país. Em qualquer lugar mais avançado desde crianças as pessoas começam a enxergar a arte como algo sério, vão a teatro, vai à ópera, sabe apreciar uma pintura ou um espetáculo. Isso começa em casa. Isso foi umas das minhas decepções.

PP: O que tira Nicette Bruno do sério?
NB: Injustiça. Escurece minha visão.

PP: Fale sobre a Nicette Bruno Produções Artísticas.
NB: O Paulinho [Goulart Filho] que de um tempo pra cá tem sido o braço direito da empresa. Estamos sempre no Rio, estamos sempre em contato, lógico, mas o Paulinho está fazendo o Teatro nas Universidades, ele está produzindo outras coisas, ele está sendo o gestor do negócio.

PP: O que você acha dessa nova turma de atores?
NB: Eu acho que estão surgindo grandes talentos. Gostaria que tivesse tanto trabalho e aproveitamento dos talentos para realização teatral do que essa vontade de ir pra televisão. Grande parte dos alunos dos cursos de teatro vão com o intuito de fazer televisão. É ótimo fazer televisão aprende-se muito. Ali é uma vitrine. Está tendo um avanço, mas ainda pequeno.

PP: A Nicette Bruno de hoje lida bem com a tecnologia?
NB: Não, não! Tenho problemas com os botões. Claro que reconheço a utilidade, a importância, mas não sei mexer, tenho gente que faça isso por mim. Fico admirando essa tecnologia nova, e lamentando que da mesma forma que eu gosto de manusear um livro, eu fico triste que a coisa está só focada naquilo e está se perdendo a escrita, não existe mais um bilhete, ninguém conversa mais, isso é lamentável. Por isso eu talvez não me dedique tanto, mas eu vou chegar lá, não posso ficar pra trás.

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