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Ayrton Senna completaria 55 anos

Relembre a história do maior atleta do país
Foto: Divulgação |  Data: 21 de Março 2015
Ayrton Senna completaria 55 anos

Por Alisson Matos

Ser ídolo de qualquer outro esporte que não seja o futebol no Brasil não é tarefa das mais fáceis. Tivemos alguns, é bem verdade, mas poucos se aproximaram do que representou Ayrton Senna para os brasileiros.

Figura emblemática, ele não marcou somente uma geração, pois é daqueles sujeitos que, após conviverem com o mito da admiração, se tornam eternos. Paulistano, Senna nasceu no bairro de Santana. Desde pequeno, o pai, empresário, incentivou-o a participar de competições automobilísticas. Ganhou o seu primeiro kart aos quatro anos de idade. Passou a correr oficialmente nove anos depois.

Já em 1977, começou a mostrar a que veio ao mundo ao ganhar o Campeonato Sul-americano da categoria. E se Senna na América do Sul já se tornara promessa, no seu país então começava a virar realidade. Por aqui, o garoto conquistou o Brasileiro de 1977, 1978 e 1980. Para ele, no entanto, faltavam, ainda, as conquistas do Paulista e do Mundial. O desejo de conquistar o título de melhor piloto do mundo o frustrava, já que ele havia sido vice em 1979 e em 1980. O que não significava nada, pois para Ayrton o segundo lugar era o primeiro dos últimos.

O piloto brasileiro, antes de ir para Fórmula 1, competiu na Europa em outras categorias. Por lá, foi tão vitorioso que chamou à atenção de diversas equipes da principal categoria de automobilismo. Corria o ano de 1984 quando Ayrton Senna passou a competir pela Toleman. Em uma das corridas, no GP de Mônaco, sua performance deu-lhe um certo status. Classificou-se em 13º no grid de largada e fez um rápido progresso através das estreitas ruas de Monte Carlo. Na volta 19, passou Niki Lauda, que estava em segundo, e começou a ameaçar o líder Alain Prost. Prosseguiu, por várias voltas, na luta pelo primeiro lugar. No dia, chuva era o que não faltava e a corrida foi interrompida na volta 31, por razões de segurança.

Senna chegou a comemorar a vitória ultrapassando Alain Prost a poucos metros da linha de chegada, todavia, nesses casos, o regulamento mandava considerar as colocações da volta anterior e, ainda, por ter sido interrompida com mais da metade da corrida, os pontos deveriam ser computados pela metade.

No ano seguinte, já na Lottus, na segunda corrida da temporada, no GP de Portugal, ele conseguiu sua primeira vitória na categoria. Dali em diante, se tornara o rei das pole positions. Entre mudanças de parceiros, algumas vitórias, lideranças e decepções, Senna foi contratado pela McLaren. Nascia um mito. Pela escuderia, em 1988, Senna conquistaria seu primeiro campeonato mundial. Não sem dificuldades. Seu parceiro de equipe era o Alain Prost, com quem o tempo fez Senna rachar a relação. A dupla, naquela temporada, venceu 15 das 16 corridas disputadas.

ayrton senna e alain prost

Que competição é sinônimo de rivalidade, Senna sempre soube. A guerra entre ele e Prost só intensificara. Prost conquistou o tricampeonato em 1989, depois de uma colisão com Senna durante o GP do Japão, em Suzuka, penúltima corrida da temporada, e que Senna precisava vencer para ter chances de conquistar o campeonato mundial na última etapa. Foi um dia marcante. Senna tentou ultrapassar Prost na chicane, os dois tocaram os pneus e foram para fora da pista com os carros entrelaçados, porém Senna retornou à pista auxiliado pelos fiscais. De volta à corrida, tirou a liderança de Alessandro Nannini, da Benetton, e chegou em primeiro, sendo desclassificado pela FIA por cortar a chicane depois da colisão com Prost.

As polêmicas e confusões fizeram parte da vida do piloto brasileiro. Em 1990, no mesmo circuito e com os dois pilotos novamente disputando o título mundial, Senna tirou a pole de Prost. O adversário, já na Ferrari, fez uma largada melhor e pulou à frente da McLaren de Senna, que antes mesmo da largada havia declarado que não permitiria uma ultrapassagem do ex-companheiro. Na primeira curva, Senna tocou a roda traseira de sua McLaren na Ferrari de Prost, levando os dois carros para fora da pista. Ao contrário do ano anterior, desta vez, o abandono dos pilotos deu a Senna o seu segundo título mundial.

No Brasil, o piloto já era unanimidade mito. A população já se acostumara a acordar cedo aos domingos para acompanhar as corridas. No futebol, a seleção não ia bem. Restou a Senna o papel de ídolo de uma nação. A expressão, dita por Galvão Bueno, fazia parte do cotidiano das pessoas. "Ayrton, Ayrton, Ayrton... Ayrton Senna... Do Brasil", foi reverberada, novamente, em 1991, com o terceiro título mundial.

Em 1994, ano de Copa do Mundo nos Estados Unidos, Senna assinou com a Willians. Agora, estava na equipe que havia ganhado os dois campeonatos anteriores. A temporada prometia. E a conjugação permaneceu no pretérito. Nos dois primeiros prêmios, ele não pontuou. Havia algo estranho.

Na terceira corrida, o GP de San Marino, em Ímola, Senna declarou que esta deveria ser a corrida de início da temporada para ele. Mal sabia que, infelizmente, seria o fim. Ele estava particularmente preocupado com dois eventos. Um deles, na sexta-feira, durante a sessão de qualificação da tarde, o piloto brasileiro Rubens Barrichello, envolveu-se em um grave acidente perdendo o controle de sua Jordan, passou por cima de uma zebra e voou da pista, chocando-se violentamente contra uma barreira de pneus.

O segundo ocorreu no sábado, durante os treinos livres, quando o austríaco Roland Ratzenberger bateu violentamente em uma das curvas, num acidente que começou a se formar na fatídica curva Tamburello, quando a asa dianteira de seu carro se soltou fazendo-o perder o controle do veículo.

Senna passou o final da manhã reunido com outros pilotos, determinado a recriar a antiga Comissão de Segurança dos Pilotos, a fim de melhorar a segurança na F1. Parecia prever. Apesar de tudo, Senna e todos os outros pilotos concordaram em correr. Ele saiu em primeiro, mas J.J. Lehto deixou morrer sua Benetton, fazendo os outros pilotos desviarem dele. Porém Pedro Lamy, da Lotus-Mugen, bateu na parte traseira de Lehto, o que levou o safety car à pista por cinco voltas.

Na sétima volta a corrida foi reiniciada, e Senna rapidamente fez a terceira melhor volta da corrida, seguido por Schumacher. O brasileiro iniciara o que seria a última volta de sua vida.

ayrton senna

Ele entrou na curva Tamburello e perdeu o controle do carro, seguindo reto e chocando-se violentamente contra o muro de concreto. Os oficiais de pista chegaram à cena do acidente e, ao perceber a gravidade, só puderam esperar a equipe médica. Por um momento, a cabeça de Senna se mexeu levemente, o que deu um alívio. Em vão, pois esse movimento havia sido causado por um profundo dano cerebral.

O piloto foi removido de seu carro e recebeu os primeiros socorros ainda na pista, ao lado de seu carro destruído, antes de ser levado de helicóptero para o Hospital Maggiore, de Bolonha. A apreensão era grande. Todos aguardavam alguma notícia e já nem se importavam com o que aconteceria na corrida.

E o que ninguém esperava, aconteceu. Senna estava morto.

O Brasil ficara órfão. E o mundo perdia um herói.

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